Elevação do Alto Rio Grande

Conquista estratégica: Brasil é o primeiro país do Hemisfério Sul a obter autorização internacional para extrair as riquezas do leito do Atlântico Sul

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A sequência mostra amostras de rochas retiradas da Elevação do Alto Rio Grande e o local, no mapa do Atlântico Sul, onde elas foram encontradas

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Por Roberto Lopes*

 

Enfim uma notícia positiva realmente importante.

Nesta segunda-feira (09.11), uma cerimônia que teve lugar no Ministério de Minas e Energia em Brasília – mas mereceu pouca atenção da imprensa – sacramentou a permissão da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISBA, na sigla em inglês), órgão vinculado à Organização das Nações Unidas, para que o Serviço Geológico do Brasil, em parceria com várias instituições civis e militares do país, possa realizar a exploração mineral de uma área do leito submarino do Atlântico Sul – 1.500 km a sudeste do Rio de Janeiro (e a 1.300 km, em linha reta, da cidade de Porto Alegre).

Este é o primeiro contrato firmado pela ISBA com um Estado do Hemisfério Sul.

Seu termo de compromisso coloca o Brasil no seleto grupo de nações que estão na vanguarda das pesquisas minerais nos oceanos, como a Rússia, Noruega, França, China, Alemanha, Japão e Coreia.

A aprovação da proposta brasileira de exploração mineral do Atlântico Sul aconteceu durante a 20ª Sessão Anual do Conselho da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISBA), realizada em agosto de 2014, em Kingston, na Jamaica – evento que reuniu representantes de mais de 160 países. A proposta brasileira se destacou pela forte integração entre meio ambiente e geologia.

Vital de Oliveira No Ministério de Minas e Energia assistiram a assinatura do compromisso entre a ISBA e o governo brasileiro o Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério, Carlos da Costa Junior, o Secretário-Geral da ISBA, Nii Allotey Odunton, o diretor-presidente do Serviço Geológico do Brasil, Manoel Barretto da Rocha Neto, o Secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, contra almirante José Augusto Vieira de Menezes, e o Subsecretário-Geral Interino de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores, ministro Reinaldo José Salgado, entre outras autoridades.

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Imagem da cerimônia de assinatura do contrato entre o governo brasileiro e a ISBA, no Ministério de Minas e Energia

Por meio desse contrato, o Brasil poderá estudar e explorar economicamente, durante 15 anos, os recursos minerais existentes em uma área de 3 mil km² – repartida por 150 blocos de 20 km² cada –, numa região conhecida como Alto do Rio Grande, que é uma elevação submarina, localizada em águas internacionais. Seu topo se encontra a 800 m de profundidade.

A Elevação do Alto Rio Grande é considerada parte do patrimônio comum da Humanidade, e os brasileiros esperam encontrar nessa região veios de cobalto, níquel, platina, manganês, tálio e telúrio.

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Rocha extraída da Elevação do Alto Rio Grande que apresenta alto coeficiente de minério de ferro

As atividades de prospecção das equipes de pesquisadores que irão se deslocar até a região atribuída ao governo brasileiro, usarão intensamente os serviços do navio hidroceanográfico Vital de Oliveira, da Marinha do Brasil.

Nos últimos cinco anos foram investidos cerca de R$ 60 milhões em pesquisas no Atlântico Sul.  Esses recursos vieram do Programa de Aceleração do Crescimento. Para desenvolver o plano de trabalho previsto no contrato serão necessários mais de US$11 milhões.

Geologia marinha – A vitória no âmbito da ISBA é o resultado de seis anos de estudos de uma equipe multidisciplinar das áreas de geologia, biologia, geofísica e oceanografia, que contou com o apoio da Marinha.

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O navio hidroceanográfico “Vital de Oliveira” (H39) e um mapa com referências físicas da localização da Elevação do Alto Rio Grande

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O projeto de geologia marinha aumentará o conhecimento sobre recursos existentes em águas internacionais próximas à plataforma continental jurídica brasileira.

Considerado estratégico pelo governo, esse projeto está inserido no Programa de Prospecção e Exploração de Recursos Minerais da Área Internacional do Atlântico Sul e Equatorial (PROAREA), que busca identificar áreas de valor econômico e de importância político-estratégica para o país na área internacional do Atlântico Sul e Equatorial.

Desde 2009 foram realizadas diversas expedições ao Alto do Rio Grande para coleta de dados relativos a batimetria, gravimetria, magnetometria, filmagem do assoalho oceânico e sísmico. As viagens permitiram que fossem coletadas ainda 18 toneladas de amostras geológicas numa área de 132.000 km2.

Os pesquisadores brasileiros contaram com a ajuda de um navio de pesquisas japonês, que transportou um mini-submarino até a área da Elevação do Alto Rio Grande.

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O mini-submarino japonês que auxiliou o trabalho dos pesquisadores brasileiros

Nesse momento a Marinha tenta desenvolver, em cooperação com a empresa francesa DCNS, um mini-submarino capaz de descer a profundidades de até 5.500 m. O submersível será tripulado por três ou quatro pessoas, mas o desenvolvimento do projeto lida com dificuldades financeiras.

Organização do trabalho – Os primeiros cinco anos do contrato serão dedicados ao desenvolvimento de estudos que detalharão o estado ambiental do Alto Rio Grande, e prepararão o monitoramento do meio ambiente na região.

Estão previstas duas expedições de levantamento de dados referentes às condições geológicas e oceanográficas. Essas incursões irão coletar dados geofísicos oceanográficos, amostragem de água, da mineralogia, petrografia, além de realizar estudos geoquímicos.

As informações serão inseridas em banco de dados geoespaciais e servirão para o monitoramento do que acontece no ambiente subaquático e a definição das principais áreas de interesse para exploração mineral.

A segunda fase dos trabalhos ficará reservada à avaliação das características mineralógicas, estruturais e geomorfológicas da região do leito submarino alvo dos estudos.

Somente a terceira etapa do plano de trabalho fará a seleção de áreas para a investigação da viabilidade econômica, ambiental e técnica dos depósitos minerais identificados.

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A qualificação de profissionais para atuar em águas profundas é outra aposta audaciosa.

O contrato inclui o compromisso brasileiro em oferecer oportunidades de treinamento para técnicos de países em desenvolvimento. A ideia é fomentar a iniciação científica, a geração de conhecimento e a capacitação de especialistas, para que o país possa estar apto a pesquisar e explorar minerais em águas profundas.

Até o momento o projeto envolveu cerca de 80 pesquisadores de diversas instituições e universidades.

*Com informações da Assessoria de Imprensa do Ministério de Minas e Energia e do Portal da Marinha

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